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AçaíBot faz sucesso na Amazônia e agora chega à Mata Atlântica paulista

AçaiBot promete revolucionar a colheita do açaí Juçara em parceria com a AMAMA, em projeto-piloto no Alto Tietê (SP

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— Depois de se destacar na Amazônia como o primeiro robô de colheita de açaí do mundo, o AçaíBot, desenvolvido pela empresa paraense Kaatech, chega agora à Mata Atlântica, em um acordo inédito firmado com a Associação dos Moradores e Amigos da Mata Atlântica (AMAMA). O projeto marca o início da primeira área de colheita mecanizada de açaí Juçara (Euterpe edulis) no interior de São Paulo.

A parceria, formalizada por meio de um Memorando de Entendimento (MOU) assinado entre Kaatech e AMAMA, foi celebrada em Belém, durante a COP30, e tem como foco o uso da tecnologia para transformar a cadeia produtiva do açaí paulista e promover o desenvolvimento sustentável do bioma Mata Atlântica, conciliando produção, conservação e geração de renda.

O projeto-piloto será implantado na região do Alto Tietê, área estratégica para a produção de água da Grande São Paulo, com sede operacional em Biritiba-Mirim (SP) — município que abriga uma das maiores reservas contínuas de Mata Atlântica do país.

O AçaíBot é uma tecnologia 100% brasileira projetada para substituir o trabalho manual de escalada nas palmeiras pela colheita mecanizada segura e sustentável. Com apenas 8 kg, o robô é portátil, tem autonomia de quatro horas e realiza a colheita em menos de um minuto por árvore, sem causar danos à planta.

Tecnologia promete revolucionar a colheita do açaí Juçara em parceria com a AMAMA, em projeto-piloto no Alto Tietê (SP), com apoio de instituições ambientais e de desenvolvimento regional

Ao ser introduzido na Mata Atlântica, o AçaíBot passa a atuar sobre a espécie Juçara (Euterpe edulis) — uma palmeira nativa historicamente ameaçada pela extração predatória do palmito. A tecnologia permite a colheita apenas dos frutos, preservando a palmeira e tornando viável o cultivo sustentável do açaí paulista.

“A dificuldade de acesso e o esforço exigido para escalar as árvores sempre tornaram a colheita da Juçara desestimulante e economicamente inviável. A chegada do AçaíBot é um ganho espetacular, porque soluciona justamente o maior gargalo dessa cadeia. Ele traz produtividade, segurança e preservação ambiental”, destacou Renato Rollemberg, presidente da AMAMA.

Com o uso do AçaíBot, a AMAMA e a Kaatech pretendem implantar um modelo agroecológico mecanizado capaz de multiplicar a produção de açaí na Mata Atlântica, reduzindo a pressão sobre o palmito e gerando renda sustentável para comunidades locais — incluindo agricultores familiares, povos indígenas e quilombolas.

O acordo prevê também o desenvolvimento de cadeias produtivas locais (CPLs) em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, The Nature Conservancy (TNC), Instituto Suinã, Instituto Awá, SEBRAE, SENAR e outras instituições.

Segundo o Memorando de Entendimentos assinado, a parceria promoverá ainda treinamentos, instalação de centrais de processamento de polpa e certificação de origem sustentável, integrando o projeto ao programa Sustenta-Serra, coordenado pela AMAMA.

Os estudos realizados indicam que o AçaíBot pode aumentar a renda por hectare em até 500% quando comparado à extração de palmito, além de reduzir entre 80% e 95% a pressão sobre a palmeira Juçara, garantindo sua regeneração natural. A iniciativa contribui diretamente para nove Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, incluindo erradicação da pobreza (ODS 1), trabalho decente (ODS 8), ação climática (ODS 13) e vida terrestre (ODS 15).

“O AçaíBot é mais que tecnologia — é uma evolução social, ambiental e econômica. Ele mostra que a inovação pode nascer na Amazônia e se expandir para outros biomas, como a Mata Atlântica, levando sustentabilidade, renda e inclusão às comunidades locais”, afirmou João Rezende, diretor comercial da Kaatech.

O presidente da AMAMA reforça que o projeto tem um impacto estratégico para o futuro do bioma e da segurança hídrica da Grande São Paulo:

“A Mata Atlântica abriga a maior biodiversidade do planeta e é a principal produtora de água do Brasil. Ao mecanizar a colheita do açaí Juçara, nós garantimos renda, mantemos a floresta em pé e estimulamos a recuperação de áreas degradadas. Esse é o caminho para que a população local veja valor na mata e se torne sua defensora”, concluiu Renato Rollemberg.

Kaatech — Empresa de tecnologia amazônica com sede em Belém (PA), especializada em soluções sustentáveis para a agricultura familiar e a bioeconomia. Criadora do AçaíBot, o primeiro robô de colheita de açaí do mundo.

AMAMA — Associação dos Moradores e Amigos da Mata Atlântica, sediada em Biritiba-Mirim (SP), voltada à preservação e ao desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica e da cadeia do açaí Juçara no Alto Tietê.

Sobre o autor:
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