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Recém-nascido morre horas após o parto em SC e casal acusa hospital privado de negligência

Hospital alega cardiopatia congênita grave

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Oliver Júlio Ferreira Baldoino foi planejado e nasceu, saudável, às 10h13 no último dia 15 de novembro em um hospital particular de Joinville, no Norte de Santa Catarina. O casal Natielle Cruz Ferreira, 29 anos, e Dueni Julio Baldoino, 33 anos, está junto há sete anos, sempre sonhou em ter um filho e planejou a vinda de Oliver.

O sonho, no entanto, se desmanchou em lágrimas no dia seguinte, por volta das 8h. De uma médica, o casal recebeu a notícia de que Oliver havia morrido. No atestado de óbito está escrito ‘Síndrome do coração esquerdo’. Natielle e Dueni acusam o hospital de negligência. A gestação de Natielle foi monitorada desde o início. “Tenho todos os ultrassons e exames e nunca foi detectado nenhum problema no coração de Oliver”, relata a mãe enlutada.

Natielle internou no dia 15 às 7h. Por volta das 9h, começou a ser preparada para a cesárea. Às 10h13, Oliver nasceu com peso e aspecto saudáveis. Já no quarto, Natielle amamentou Oliver pela manhã e depois por volta das 16h. Depois da última mamada, o bebê dormiu e ficou na cama ao lado, segundo contou a mãe.

“Por volta das 18h, a enfermeira apareceu e disse que já estava na hora da próxima mamada. Mas Oliver não estava querendo acordar, estava sonolento e não quis pegar o peito”, continua Natielle.

“Trouxeram um paninho molhado, molharam o rostinho e ele chorou alto. Nesse choro, ele ficou roxo. Uma enfermeira pegou o bebê, olhou e percebeu que havia algo errado. Ela chamou outras enfermeiras. Vieram quatro enfermeiras. Deram uma picadinha no pezinho para medir a glicose”, relatou a mãe.

De acordo com a mãe, uma das enfermeiras foi chamar a pediatra. Isto já era por volta das 22h. A pediatra chegou com uma máquina que mede saturação e com copinho de glicose, lembra a mãe. “Deram a glicose, ele tomou bastante. Neste momento, ele já não estava mais corado, estava molinho”, contou Natielle.

As profissionais da saúde teriam dito ao casal que iriam levar o bebê para “regularizar a glicose.” Natielle sugeriu ao marido que acompanhasse todo o procedimento. Dueni, então, foi ao vestiário trocar de roupas já que na UTI neonatal não poderia entrar com roupas normais.

“Não me deixaram entrar. Alegaram que era procedimento. Fiquei cerca de 45 minutos esperando”, contou o pai. Depois desse tempo, Dueni foi autorizado entrar na sala. “Os batimentos cardíacos estavam certinhos. Ele estava em uma estufa, estável. Fiquei um tempinho ali com ele e fui avisar minha esposa”, lembra.

Já na madrugada, por volta das 2h do dia 16, o marido decidiu voltar à UTI e foi novamente impedido de entrar. “Fiquei na porta e ouvi a médica ligando para outro profissional dizendo que não sabia o que fazer”, diz. Dueni disse, ainda, que ouviu a médica comentando com a enfermeira que iria fazer o procedimento indicado pelo profissional com quem falou ao telefone.

“Quando eu pude entrar na sala, Oliver já estava intubado. Isso já passava das 3 horas. Vi que ele estava com a respiração bem lenta. A médica disse que ele tinha sofrido uma parada cardíaca e ela teria conseguido reanimá-lo e depois intubado”, conta. Dueni, então, voltou para o quarto para avisar a esposa do estado de saúde do filho. “Pensamos: ‘eles sabem o que estão fazendo’”, recorda.

Perto das 5h do dia 16, o casal decidiu voltar à UTI e lá foi informado que o bebê estaria em “procedimento” e que iria demorar. O casal foi orientado a voltar para o quarto. Segundo Natielle e Dueni, as profissionais não explicaram o que seria esse “procedimento”.

A notícia que o casal não queria ouvir chegou às 8h. Uma enfermeira chamou o casal, que foi conduzido para a sala de uma médica. Ela informou sobre a morte de Oliver. Segundo o casal, a médica teria dito que o bebê teve um problema na respiração e que, infelizmente, evoluiu para óbito. A médica que deu a triste notícia, no entanto, não foi a mesma que cuidou de Oliver a noite toda. Esta havia acabado de deixar o plantão.

 O que diz o hospital:

O hospital lamenta profundamente a perda de uma vida, principalmente quando se trata de um bebê recém-nascido.

Sobre o caso citado, o hospital recebeu a gestante, que não realizou o pré-natal na unidade. A mesma fez acompanhamento em outra unidade. No dia 15 de novembro, o parto cesáreo foi realizado.

A criança nasceu com peso e aspecto saudáveis. Infelizmente, algumas horas após o parto, percebeu-se que o bebê não estava bem e, imediatamente, foi levado pra Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com a investigação, identificou-se uma cardiopatia congênita grave, que infelizmente é incompatível com a vida, na grande maioria dos casos. A equipe conseguiu realizar duas reanimações no bebê, mas na terceira parada cardíaca, a criança não resistiu e veio a óbito.

O Hospital se solidariza com a família e reforça que todos os recursos, que estão ao alcance da medicina, foram empregados. A equipe realizou tudo que estava ao alcance e lamenta muito.

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